Reserva de Hoteis e Pousadas em Morro de Sao Paulo

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Turismo internacional em Morro de São Paulo

A história da Ilha de Tinharé também está associada desde sua colonização à interferência e influência dos estrangeiros.

Desde os primeiros tempos, Morro de São Paulo recebe pessoas de fora, pertencentes a outros países e outras nacionalidades que elegeram esta ilha como residência.

São dezenas de estrangeiros que atraídos pelas belezas naturais, aqui aportaram em busca de oportunidade, liberdade ou apenas tranqüilidade.

Alguns não resistiram aos encantos de Morro de São Paulo e trocaram a sofisticação das cidades grandes pela simplicidade da ilha. Muitos se deixaram levar por este clima para sempre e resolveram morar. Achamos que é fundamental registrar alguma destas histórias, destes estrangeiros que ajudaram a construir o progresso desta ilha.

Os estrangeiros também vinham atrás de uma vida melhor e a primeira vista Morro de São Paulo era um lugar perfeito para atingirem seus objetivos. As mãos destes forasteiros, assim chamados antigamente pelos nativos, ajudaram a impulsionar a nova fase do turismo em Morro de São Paulo. Eles traziam novas idéias de organização de trabalho que se difundiam na Europa e nos outros continentes e incorporaram estes hábitos na população, mudando a cara do povoado.

Poderíamos citar muitos exemplos destes estrangeiros, são muitas as histórias de sucesso e permanência na ilha, mas contaremos a trajetória de apenas um que servirá como exemplo de que estas pessoas, pelo menos grande parte delas, não deseja apenas usufruir do lugar mas também almeja melhorar o espaço e tem a preocupação de cuidar do ambiente onde vive. A história de Horst Drechsler, de nacionalidade alemã, que vive em Morro de São Paulo desde 1982.

Horst nos conta que estava viajando pelo mundo e resolveu aportar em Morro de São Paulo, onde na época estava um amigo de sua mesma pátria. Veio para conhecer e ajudar o amigo a construir e acabou ficando por seis meses. O amor por Morro de São Paulo nasceu, conforme ele diz, pela multiplicidade cultural. “A mistura que existe faz com que não nos sintamos diferentes das pessoas que vivem aqui”, define. Claro, que a natureza que encontrou na ilha é o outro motivo.

Após este período, retornou para seu país, a Alemanha, trabalhou, visando juntar dinheiro para retornar a Morro de São Paulo. Horst fez o que a maioria dos estrangeiros fazia: retornava aos seus países e juntando uma quantia voltavam ao Brasil para investir. Conforme Horst, nesta época em Morro de São Paulo a única forma de renda era a pesca. E a pesca não estava entre suas habilidades.

Voltando da Alemanha, onde trabalhou durante três meses, ele permaneceu o restante do ano em Morro de São Paulo e assim foi levando sua vida até que se estabeleceu definitamente na ilha em 1986. Primeiro alugou uma casa, a antiga residência de Manuel Elisbão, localizada na parte central na Vila e atual área onde hoje funciona sua pousada.

Em 1988 comprou a casa e a partir daí começou a ampliá-la e dar formato a pousada. Ele também marcou presença na história de Morro de São Paulo, como um dos pioneiros neste setor. Lembra que qualquer investimento neste período era lucro certo. Prova disso, é que quase todo o dinheiro investido foi praticamente recuperado no primeiro ano de existência da pousada.

Hoje em dia, Horst possui uma bela e organizada pousada e ainda tem tempo para curtir um de seus hobbies preferidos: velejar. Ele é o dono de um Clube de Velas, que fica na Praia da Gamboa. (confira no link Como Chegar com sua própria embarcação a Morro de São Paulo.

Empresário consciente, Horst sabe que parte do sucesso que teve em seus empreendimentos juntamente com o progresso que invadiu Morro de São Paulo nas últimas décadas, trouxe consequencias graves para o meio ambiente da região. “Eu não desejava que o progresso chegasse tão rapidamente, pois sei das consequencias disso”, diz. Como não há como frear o desenvolvimento procurou preservar, porém, poucas pessoas lutavam e lutam por este ideal na ilha.

Para Horst, este é o único ponto negativo. Ver o que acontece, saber como vai acabar e não poder evitar. Mas podemos e devemos mudar esta história. Veja como o povo de Morro de São Paulo está agindo perante as mudanças impostas pelo progresso e o que ainda é possível fazer para mudar alguns hábitos e preservar o meio ambiente da ilha.

O progresso e suas consequências

A vida prossegue em Morro de São Paulo como tem sido nas últimas décadas deste século. A população residente na ilha cresceu grande parte deste crescimento se deve pelo aumento de pessoas que fixaram moradia no local. O número de turistas que visitaram a ilha a tornou conhecida mundialmente e a cada ano Morro de São Paulo recebe uma nova leva de transformações e após estes quatro séculos que se passaram, Morro de São Paulo recebe diariamente as invasões de turistas. Vários outros pontos turísticos do Brasil, como exemplo outra praia baiana, Porto Seguro, também passou por este mesmo processo. Primeiro vem a descoberta, depois a invasão e infelizmente a descaracterização do lugar. O deslumbramento com a nova atividade, o turismo, rende lucro fácil. Para quem estava costumado a ganhar dinheiro somente da pesca, as novas frentes de trabalho tornaram-se excelentes oportunidades de chances de enriquecimento. O progresso veio através da nova iluminação, da construção de pistas de pouso de aviões e da construção de dezenas de pousadas. Estes investimentos não modificaram o cenário natural da ilha, mas paisagens vão aos poucos sendo mudadas e o meio ambiente, sofrendo com estas alterações.

Referimo-nos aqui, não somente as mudanças da natureza, mas também as modificações pelas quais passaram os nativos deste lugar, que tiveram suas vidas invadidas e as viram misturar-se a outras culturas e costumes. Muitos relatos de nativos antigos apontam para a chegada do progresso como tendo dois lados: um positivo caracterizado pelo surgimento do turismo com o aparecimento das pousadas que foram se multiplicando e gerando emprego para muita gente e outro negativo, com a descaracterização da cultura local. Morro de São Paulo sempre foi um povoado sofrido do ponto de vista econômico até que o fluxo de turistas atingiu o espaço. As pessoas sempre sobreviveram em função de um extrativismo animal, da pesca. É um apostar na natureza. No final da década de 70, o nativo começa a sentir o sabor de uma perspectiva totalmente consciente do futuro. Sobretudo quando começa a enxergar outras moedas estrangeiras como o dólar e o euro. Vários estrangeiros apostaram no lugar, porém, a maioria destas apostas foi superficial, do ponto de vista do desenvolvimento local.

Na opinião do professor e historiador, pertencente a uma tradicional família de Morro de São Paulo, Augusto César M. Moutinho, os estrangeiros chegavam, trabalhavam durante o verão, capitalizavam seus negócios e no inverno retornavam para suas terras a fim de curtirem o verão europeu. O retorno era pequeno. Associando isto, a uma ausência total de uma política pública relacionada ao desenvolvimento do espaço e a melhoria da infra-estrutura, muito comum em algumas gestões passadas, temos um ambiente caótico. Morro de São Paulo começa a expandir primeiro horizontalmente, depois verticalmente. “A minha geração subia até o Farol e contemplava a Segunda Praia, que no verão era um mar de barracas coloridas. Automaticamente isto foi convertido numa grande invasão, não das barracas, mas de pessoas que buscaram constituir negócios”, lembra Moutinho. “Aquilo que a gente viveu há 20 anos tem infelizmente um sabor de saudade”, conclui. A Segunda Praia perdeu sua constituição física. A ilha da Saudade não é mais uma ilha. Grande parte das construções em Morro de São Paulo foi feita desordenadamente.

De acordo com os nativos, não houve uma disciplina na ocupação das áreas e o rápido crescimento turístico afetou parte dos recursos naturais da ilha. A lagoa e a fonte existente na Biquinha, são exemplos deste descaso com a natureza. Conforme os relatos da senhora Maria do Carmo Lopes Conceição, nativa já falecida, a lagoa hoje não chega nem perto do que já foi. “Antigamente havia um casal de patos que quando enxergavam as pessoas, entravam na água e de lá não saíam”, lembra. Hoje o que vimos é um cenário bem diferente. Desaparecida há muitos anos, a lagoa representa apenas uma pequena porção de água, pois o local foi quase que soterrado e a água não é tão limpa. Na Biquinha havia um bebedouro natural onde os nativos consumiam a água, inclusive, José Oliveira Santana, nativo, com 52 anos em 2008, recorda que existia uma bica d’água de onde os nativos usufruiam tranquilamente da água jorrada. Ele não lembra o ano, em que foi feito um mutirão entre os moradores para restaurar o bebedouro natural. Com a construção das pousadas o bebedouro acabou. “A água era cristalina, pura”, ressalta.

O historiador acredita que no curso de 20 anos a ilha sofreu alterações significativas e tristes. Esta contestação, segundo Moutinho, se dá pela perda de alguns elementos culturais que faziam parte da comunidade. Os espaços foram sofrendo alterações muito bruscas, por exemplo, toda a comunidade convergia sua fé para a Igreja Nossa Senhora da Luz.

As manifestações culturais aconteciam no largo em que a igreja se localiza e este foi sendo subtraído por conta da especulação imobiliária, por conta da invasão das pousadas. “Chegou num determinado ponto que aquele espaço que era considerado sagrado para o povo, não faz mais sentido”, explica o professor.

As festas populares que ainda acontecem como o Cortejo de São Benedito, agora são realizadas de maneira descolada da realidade do povo. A comunidade sobrevivia quase que em função de um patamar máximo de solidariedade. Hoje não se vê mais este patamar. Os moradores não têm mais tempo de se relacionarem com o coletivo, estão ocupados trabalhando. “As teias de solidariedade se dissolveram até dentro da família e a gente enxerga isto com extremo saudossimo e com tristeza também”, enfatiza. Segundo o historiador, talvez o único elemento que fará com que Morro de São Paulo seja cataptado como um consenso de desenvolvimento sustentável correto, bom para todos, seja este vínculo que o sujeito estabelece com o lugar.

Morro de São Paulo é um lugar cosmopolita agrega várias identidades e valores. Só que estes valores são passageiros, pois as pessoas vêm e vão. E esta ausência de identidade, esta vontade de transformar o local, faltou ao nativo. “É a capacidade que a pessoa tem de morar ali, produzir algo consistente. Produzir uma cultura interessada numa coletividade”, conclui.

E não é preciso ser um estudioso no assunto para enxergar claramente estas características apontadas pelo historiador. Os próprios nativos acham que Morro de São Paulo perdeu muito de sua cultura local com a chegada e proliferação de outros costumes. Dona Zezé, Elze Moutinho Wense, nativa com 77 anos em 2008, atribui a chegada dos hippies à grande parte destas mudanças. “Eles trouxeram costumes diferentes, os estrangeiros foram conhecendo o Morro e muitos se radicaram aqui e nossa cultura foi sendo abafada”, salienta. A troca dos nomes originais das praias, os preparativos dos festejos populares como o de São João, também é citado como recordações de um passado distante e que deixou muita saudades.

Morro de São Paulo perdeu parte de sua beleza natural, devido o crescimento desenfreado do turismo. O turismo trouxe o progresso, mas também algumas derrotas. Mas apesar destas perdas ainda existe uma imensa e bela natureza em nossa ilha, que atrai turistas de todos os cantos do mundo. O que dizemos acima deve servir de alerta e reflexão para a própria comunidade, que deve se policiar e preservar. Para os nossos governantes que devem adotar medidas para cuidar de Morro de São Paulo.

É uma luta de todos, onde a vitória só será alcançada se houver união. Morro de São Paulo é um dos poucos lugares no mundo onde existe uma reserva humana, onde as pessoas interagem 24 horas. Integram-se e tanto faz se são de Norte ou Sul de qualquer lugar do mundo. Para Jorge Gramacho, antigo morador, há uma necessidade de preservar a identidade e isto deve servir de reflexão. Morro de São Paulo não deve ser visto como um lugar só para ganhar dinheiro, mas também para se investir socialmente. “É preciso que se more e goste de Morro. Vamos aproveitar a natureza que está nos dando este cenário, o que falta é respeitá-la de uma forma mais condizente e decente”, declara Gramacho.

E como muito bem diz a ex-diretora cultural e moradora, Lena Wagner há desencontros, mas as pessoas ainda se preocupam com isto e a preservação dos recursos naturais, não deve ser vista como modismo ou como chavão, mas sim como verdadeira, com sentimento, alma e coração. “Assim teremos dignidade para recebermos nossos visitantes e o Morro sempre dará uma resposta, pois ele é o portal da alegria e o farol da esperança”, define Lena. Precisamos dizer mais alguma coisa com esta definição?

Os Personagens da Ilha

Morro de São Paulo, além das belezas naturais, possui outro tesouro: sua gente. O povoado de Morro de São Paulo abriga personagens e figuras especiais, que retratam histórias marcantes e de coragem. Cada personagem deste enredo apresenta uma vida diferente, mas todos protagonizam fatos que merecem serem contados. Trajetórias de lutas e desafios. Que instigam nossa imaginação e nos levam a viajar através de suas narrativas. Destacamos algumas destas histórias para que você as conheça e se encante com estes depoimentos, que também fazem parte deste paraíso chamado Morro de São Paulo e cujas existências fazem toda a diferença na história principal da ilha.

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