Não tem alguém em Morro de São Paulo, entre nativos e moradores, que já não tenha ouvido falar de Bada. Uma pessoa carismática e respeitada que é “filho desta terra”, como ele mesmo diz. O povo o chama e o solicita frente a qualquer problema. Qualquer coisa que acontece na comunidade as pessoas reclamam diretamente com ele. O motivo desta popularidade não vem de agora.
Osvaldo Vasco dos Santos, seu verdadeiro nome, com 56 anos em 2008, já foi intitulado “delegado” de Morro de Pão Paulo. Isto há 10 anos atrás, na época em que a delegacia contava apenas com uma sede simples e os policias ficavam num posto localizado do distrito da Gamboa.
Com o apoio da comunidade, Bada abordava as pessoas e quando percebia que o indivíduo não era de “boa conduta”, o expulsava da ilha. “O xerife do Morro”, assim era conhecido entre os habitantes de Morro de São Paulo e região. E é destes tempos que Bada nos narra um episódio que retrata muito bem sua força perante o povo. O caso de um nativo chamado Pastel. Dois assaltantes esconderam-se em sua casa, na Segunda Praia e acabaram o ferindo com uma faca. Pastel faleceu e este fato causou revolta na comunidade de Morro de São Paulo.
Bada junto com outros nativos saíram à procura dos criminosos na Mangaba, onde estavam escondidos. Munido com uma escolpeta e um revólver, capturou um dos assaltantes, mas o outro fugiu. Quando Bada trouxe de volta o ladrão, próximo a Padaria de Seu Bonzinho na Fonte Grande, o povo gritava e ovacionava por ter capturado o assaltante. Esta história foi há 15 anos atrás, mas até hoje ele recorda com orgulho e lembra das palavras ditas pela comunidade: “Esse é o homem”. Bada entregou o indíviduo aos policias da Gamboa, que foi levado para a delegacia.
A personalidade forte vem da infância. As dificuldades vividas o deixaram calejado e o fizeram enxergar o mundo desde cedo com muita responsabilidade. Bada perdeu o pai com 12 anos e teve que sustentar os 11 irmãos. Depois que casou, com Dona Celeste, passou a viver da pesca, única forma de subsistência em Morro de São Paulo na época, até adquirir seu primeiro barco. Aos poucos Bada foi trocando de embarcações até que conquistou um barco com capacidade para 70 pasageiros e fazia o percurso Morro/ Salvador/Morro. Ficou por muito tempo com este barco até que resolveu vendê-lo e comprar outras lanchas menores para os filhos que hoje trabalham com passeios e fretamentos. Mas bem antes de ser um dos marinheiros da ilha, Bada marcou sua história em Morro de São Paulo também sendo proprietário de um dos restaurantes mais conhecidos durante o final da década de 90. O Restaurante “Vereda Tropical”, fechado há 15 anos que ainda está na memória de muitos moradores que foram seus clientes. Bada ficava na cozinha com a esposa e os próprios clientes se serviam. Atualmente o ex-xerife cultiva outra grande paixão: a politica. Ele foi vereador entre 2000 e 2004 pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e nas eleições de 2008 foi candidato novamente ao cargo, pelo Partido Comunista do Brasil (PcdoB).
O vendedor de pastéis que encanta
Assim como Bada é lembrado pela maioria da população como pessoa influente, há outro personagem nesta ilha que apesar de não ser nativo, tornou-se uma unanimidade quando se fala em alegria. Roberto Silvio Maron, com 52 anos em 2008, o popular Foom, é consagrado pela sua alegria e simpatia entre comunidade e turistas em Morro de São Paulo. Muitos turistas que passarm pela ilha levaram um pouco das histórias contadas por Foom e as trasmitiram para outras pessoas. Foom vende pasteís todas as noites num carrinho que fica na Praça Aureliano Lima, na Vila, parte central de Morro. E é neste ponto que ele arma seu cenário para o espetáculo de diversão que encanta e diverte os turistas. Embalado pelo seu violão e com a companhia de outras pessoas que tocam percussão, visitantes e moradores cantam por horas. Aliás, a Vila sem a barraca do Foom não é a mesma. Mas para chegar até aqui, para conquistar esta simpatia e admiração, este argentino passou por muitas coisas e tudo deve início em 1986, quando veio pela primeira vez a Morro de São Paulo. Foom morava em Arembepe, na Bahia, numa comunidade hippie onde conheceu um dinamarquês que lhe falou sobre Morro de São Paulo. A paisagem descrita pelo amigo despertou o interesse em conhecer o lugar. Passaram-se três anos e em 1986 ele veio conhecer a ilha, exatamente no dia 08 de dezembro, feriado baiano de Nossa. Senhora da Conceição. Ele lembra perfeitamente da viajem de ônibus com parada na cidade de Valença. Nestes tempos a rodoviária ainda era um pequeno terminal, localizado perto do cais. Recorda também, que era uma verdadeira aventura, pois chegaram de madrugada e embarcaram no barco que partiu às 4 horas da manhã, chegando em Morro de São Paulo às 7 horas.
Quando desembarcu em Morro de São Paulo, junto com sua esposa Graciela Isabel Rodriguez e os três filhos, todos pequenos, Foom não acreditou no que estava vendo. “A cor da água era transparente e parecia que estávamos chegando dentro de um aquário”, relata. Ele se deslumbrou com o que viu e sentiu. “Parecia um cartão postal, ouvia-se o silêncio do lugar”. Foi então que decidiu: é aqui que vou ficar.
O começo não foi fácil, mas ele encontrou em Morro de São Paulo uma coisa que procurava desde que saiu de seu país, a Argentina, o calor humano. A receptividade dos nativos foi muito boa e para comprovar isto, Foom conta que um morador lhe emprestou uma casa, que ficava situada na Fonte Grande para ele morar. Foi a primeira demonstração de apoio, respeito e sentimento por parte da comunidade. Devido a falta de estrutura da ilha em relação a educação, eles decidiram voltar a Salvador para que as crianças pudessem estudar.
Ficaram por três anos e quando soube que Morro de São Paulo já estava com mais infra-estrutura, regressou em 1993 e foi aí que iniciou a atividade de vendedor de pastéis. Segundo Foom, ele foi o primeiro vendedor ambulante de alimentação da ilha. No começo vendia os pastéis acompanhados com café para as pessoas que embarcavam nos barcos com destino à Valença. Ficava sentado em frente à Igreja Nossa Senhora da Luz à partir das 5h30 esperando os clientes. Foi assim que surgiu o “pastel do Foom” que anos mais tarde teve seu ponto fixo, no mesmo local que permanece até hoje.
Nesta época ele vendia também pastel na beira da praia, caminhando da Primeira até a Quarta Praia. Assim trabalhou até o Natal de 2007, mantendo a partir desta data apenas o ponto fixo. Há 15 anos ele vende pastel e também cativa os turistas, que se divertem com o som e a batucada. Já chegou a vender 300 pastéis numa mesma noite e o segredo, além da simpatia, está na forma do preparo. É tudo feito artesanalmente, Foom prepara a massa e Graciela faz os recheios. Ele recorda que a idéia de tornar o local mais agradável e atrair os fregueses surgiu quando ele convidou Joe, um nativo que vende caipifruta junto ao carro do pastel, a fazer um som e assim surgiu a famosa batucada do Foom. Aliás, a música sempre foi uma paixão deste argentino que tem uma banda chamada “Banda Morro de São Paulo”, atualmente desativada. Além do agito que faz junto ao ponto do pastel na vila, ele também toca uma vez por semana, toda quarta-feira, no Teatro do Morro. Hoje, Foom se mantém com o ponto da vila e seu próximo objetivo é comprar um barquinho para pescar. Um projeto simples, que segundo ele, já conquistou muito e sente-se grado com a comunidade de Morro de São Paulo pela acolhida e respeito que teve durante todos estes anos.
A Educadora
Se pedirmos para algum morador de Morro de São Paulo definir em poucas palavras Dona Zezé ou professora Zezé, como também a chamam com certeza as palavras usadas seriam “uma grande incentivadora” ou ainda “uma excelente educadora”. A senhora Elze Moutinho Wense, com 77 anos em 2008, nativa, se faz presente na história deste lugar por sua perseverança e coragem em acreditar e apostar na educação.
A vida desta batalhadora, que sempre defendeu o ensino como principal agente de transformação do ser humano, foi semelhante à vida dos demais nativos de Morro de São Paulo.
Movida a muito trabalho para sobreviver e enfrentar as adversidades do lugar. Mas vemos claramente uma diferença em sua trajetória: sua preocupação com um futuro mais justo e humano. E este futuro, de acordo com suas palavras, “é feito a partir da formação do ser humano”.
O interesse pela educação está no sangue e vem das gerações passadas. Sua avó, que se chamava Aquilina Maria, foi a primeira professora primária de Morro de São Paulo e sua mãe, uma antiga professora que atuou voluntariamente por 22 anos na Escola Nossa Senhora da Luz.
Segundo nos conta Dona Zezé, nesta época não havia professoras na ilha e sua mãe, Áurea Moutinho, alfabetizava as crianças. Este gesto rendeu uma justa homenagam e em 2002 seu nome foi dado a Escola Municipal Áurea Moutinho, localizada no caminho do Zimbo.
Na época em que viveu em Valença, onde residiu com o marido quando este ficou doente, professora Zezé ficou afastada das salas de aula. Depois que ficou viúva, ela retornou aos estudos, se formou em Magistério e trabalhou com música, praticando canto.
A professora não parou por aí. Especializou-se, cursando Teologia em Ilhéus e prestou concurso para o Estado e até hoje está nesta área. Desde que assumiu seu posto como diretora da Escola Municipal Áurea Moutinho, ela cativa a todos não só pela simplicidade, mas também pela dedicação com os alunos. Esta professora, de voz suave e aspecto físico e frágil ganhou lugar cativo na classe da educação de Morro de São Paulo e nas horas em que está fora da escola, ainda encontra tempo para desempenhar outra paixão: cuidar da igreja.
Junto com Frei Elias Feitosa, responsável pela Paróquia, realizou parte da restauração da Igreja Nossa Senhora da Luz. Desde 2004 eles estão envolvidos neste projeto e fazem da maneira que podem, pois não tem apoio do poder público, apenas da comunidade.
Dona Zezé foi a grande responsável por parte do trabalho realizado até hoje, pois foi com suas economias pessoais que foram feitas a maioria das obras de restauração do templo. (conheça mais sobre esta história no link História/ Monumentos Históricos / Igreja N. S. da Luz).
Devido sua fé, dedicação e absoluta força de vontade é que Dona Zezé é uma das personagens, que fazem parte da história de Morro de São Paulo.
Monumentos Históricos de Morro de São Paulo
O arquipélago de Tinharé tem uma longa e importante história. Seu passado foi marcado por episódios de batalhas e pela função desempenhada na defesa da Baía de Todos os Santos. Estes fatos colaboraram e fizeram com que surgissem em sua trajetória, mais exatamente entre os séculos 17 e 18, monumentos históricos que são considerados marcos culturais. O arquipélago de Tinharé, guarda preciosidades arquitetônicas que exalam de suas ruínas importantes episódios da história brasileira
Cinco destes patrimônios estão situados em Morro de São Paulo e foram erguidos próximos a área central da ilha, sendo estes: a Fortaleza de Tapirandu, a Igreja Nossa Senhora da Luz, a Fonte Grande, o Farol e o sobrado do Casarão.
Suas construções fazem parte da história da região sul da Bahia e também do país, no período colonial. Mas a herança cultural da colonização portuguesa e o trabalho dos jesuítas na região deixaram ainda um rico acervo distribuído entre as ilhas de Boipeba e a sede do arquipélago, Cairú. Estes lugares abrigam várias construções religiosas com importância histórica e arquitetônica. No pequeno povoado de Galeão encontramos a Igreja de São Francisco Xavier, construída em 1626; em Boipeba, as Igrejas do Dívino Espírito Santo, datada de 1616 e a de São Sebastião. Cairú, abriga o Convento de Santo Antônio, construído por iniciativa dos frades franciscanos e a Igreja Matriz de Nossa Sra. do Rosário, de 1654. Você saberá como surgiram e tudo mais sobre este vasto bem cultural de Tinharé. ém de atrações turísticas e pontos de visitação obrigatória, os monumentos são os testemunhos da história e a prova do passado glorioso da ilha. Acompanhe nos próximos links, a história de cada monumento e outras informações.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
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