Com uma extensão territorial de 315 metros, a Primeira Praia pode ser considerada a menor de todas. O que não a deixa para trás, pois em suas águas pode-se desfrutar de deliciosos banhos de mar. Não é o lugar mais visitado pelos turistas, mas é o mais freqüentado pelos adeptos aos esportes.
É onde fica a Pedra do Moleque, point dos surfistas em Morro de São Paulo e possui também lugares ideais para a prática do mergulho.
A Primeira Praia faz a alegria dos que procuram por adrenalina. Existem quatro opções: a Tirolesa que possui 350 metros de cabo a 70 metros do chão e liga o Farol à praia, a Banana Boat e você ainda poderá deslizar sobre as águas, andando de esqui aquático, wakeboard ou caiaque.
A Primeira Praia é dona de um visual belíssimo: olhando a sua esquerda no alto do morro se vê o Farol e à direita, a Ilha da Saudade, localizada na ponta da Segunda Praia.
Nesta praia que foram construídas as primeiras casas de veraneio, que hoje na sua maioria, são alugadas para turistas brasileiros e também vindos de outros países. No verão as enormes escunas de passeio contrastavam-se com os humildes barcos pesqueiros dos nativos.
Algumas destas antigas casas se transformaram em opções de hospedagem e além destas, foram construídas outras pousadas com inclusive, estruturas maiores oferecendo aos hóspedes ítens como piscina e sem falar da belíssima vista para o mar. Na beira da praia há poucas barracas, um total de quatro, sendo que a maioria é muito antiga e pertencem às famílias de nativos que há anos vêm conservando a tradição de sobreviverem do mesmo comércio.
Em todas você encontrará deliciosos petiscos baseados em frutos do mar, como a porção de pititinga, servida na Barraca Manus, uma das mais antigas barracas. É comum, principalmente no verão época de maior movimento, ver diversas embarcações atracadas, por ser considerado um bom ponto para ancorar, devido os barcos ficarem protegidos pela encosta e apresentar um grande número de recifes. Possui um ancoradouro natural, servindo também como ponto de desembarque de mercadorias de alguns estalecimentos comerciais e também de todo tipo de material de construção. Mas isso é visto com mais freqüência na baixa estação e nas primeiras horas da manhã. Devido serem períodos que apresentam menos fluxo de pessoas na praia. É habitual avistar burricos carregados de tijolos ou areia passarem pela beira da praia, o que gera uma certa curiosidade por parte dos turistas, que chegam até a fotografá-los.
Por sua localização ser bem próxima à parte central do Morro, muitos turistas a preferem devido às facilidades de locomoção. Na rua situada paralela a praia, chamada de Rua da Prainha, ficam algumas pousadas, farmácia, agência de turismo, cyber-café, lojas e restaurantes. Conheça a seguir a história desta praia, como foi seu desenvolvimento e todas as características que a tornam a praia mais charmosa de Morro de São Paulo.
A história das praias de Morro de São Paulo, assim como a história geral do lugar, é contada por contos de seus mais antigos habitantes. Da época da colonização lusitana até os dias atuais, nada há em relação a documentos e registros que narrem a trajetória e o desenvolvimento destes lugares. Até mesmo os nativos não lembram com exatidão dos fatos ou marcos que conte sobre a história da baliza de nossas praias.
No livro Tinharé – História e Cultura no litoral Sul da Bahia, de Antonio Risério (BYI Projetos Culturais LTDA/2003) há dados que apontam para as praias do litoral nordestino como sendo lugares proíbidos para visitação: “.....em 1831, no sentido de dar à vida da cidade aparência tão européia quanto possivel, a Câmara Municipal do Recife decretou que todo indíviduo que fosse achado nu em beiras de praias, ou tomando banho com os corpos descobertos sem a devida decência, seria punido com prisão ou bolos”.(Cap. 27/Pág. 250).
Como vemos as praias não eram lugares frequentados pela população e apenas nos séculos seguintes foram vistas como locais de convívio social.
Em Morro de São Paulo cada praia teve, mesmo que pequena, sua trajetória como poderemos ver a seguir nos textos sobre as histórias das praias.
No caso da Primeira Praia, que se chamava Prainha, foi o local onde surgiram as primeiras casas de veranistas da ilha, pertencentes às famílias de classe média alta vindas de Salvador e cidades como Gandu, Valença, Cruz das Almas e Feira de Santana. Conforme Lena Wagner, estudiosa do assunto que cursou por dois anos História e já foi diretora cultural de Morro de São Paulo, estas famílias pertenciam a chamada Era do Cacau. “Eram fazendeiros de cacau que construíram suas casas, principalmente na Primeira Praia e na Vila e havia uma integração muito forte, uma troca carinhosa com os nativos”, conta Lena. Hoje, a maioria destas casas se transformou em pousadas. Outras ainda preservadas, continuam com os mesmos proprietários e são alugadas na alta temporada. De acordo com Lena, estes veranistas se afastaram de Morro de São Paulo na era dos hippies. “Quando os mochileiros descobrem as belezas naturais e vão chegando com costumes adversos a esta classe de veranistas, mais conservadores, eles se afastam”, explica.
Enquanto a Primeira Praia apresentava os primeiros indícios de que o progresso não iria tardar, as demais praias da ilha ainda preservavam uma abundante vegetação nativa e um imenso coqueiral com suas fazendas de plantações de coco, dendê e piaçava. As primeiras barracas que apareceram na Primeira Praia pertenceram a nativos da ilha e até hoje mantém esta característica e é através destes estabelecimentos que seus proprietários tiram o sustento de suas famílias, do mesmo modo que seus antepassados, pais e avós trabalhavam, porém, com uma diferença. Hoje estas pessoas têm um aliado importante: o progresso. Antigamente, no tempo em que foram abertas, na década de 70, as barracas não tinham geladeiras, pois ainda não havia energia elétrica em Morro de São Paulo.
A luz elétrica só foi chegar em 1985. (confira a evolução da história de Morro de São Paulo no link História de Morro de São Paulo/ A Ilha e seu povo/ 2.1 - A vida dos nativos de Morro de São Paulo. As barracas mais antigas são a Manus e a Tinharé, logo após surgiu a Barraca do Tempo. Dona Mariinha, Maria dos Amparo dos Santos, foi a primeira proprietária de uma barraca na Primeira Praia.
Dona Mariinha faleceu aos 74 anos e passou a barraca para sua filha, a Dadai, uma conhecida comerciante e ex-proprietária de um dos restaurantes mais conhecidos da ilha. Hoje a família é representada na Primeira Praia por Seu Manu, Manuel Paulo Santos, de 58 anos, que dirige a barraca Manus. Filho de Dona Mariinha, ele mantém a tradição e possui desde 1984 seu comércio na Primeira Praia, onde a esposa e dois de seus quatro filhos trabalham. Seu Manuel não morava em Morro de São Paulo na década de 70, pois aos 16 anos de idade foi morar na capital como muitos outros nativos fizeram almejando o sonho de ter melhores condições de vida. Ficou em Salvador durante 20 anos e quando retornou em 1982, trabalhou por um tempo com sua mãe que ainda estava viva e em 1984, então casado, já abriu a barraca. Nesta época o turismo em Morro de São Paulo já estava despontando e Seu Manuel teve a oportunidade de crescer também. Primeiro construiu a barraca na praia e mais tarde pôde construir uma pousada situada na Rua da Biquinha. O empreendimento, de acordo com ele, talvez por situar-se num local onde não houve investimentos e uma conscientização ambiental por parte da população e da administração pública, não prosperou e com o passar dos anos transformou-se em quartos de aluguel.
Angelina Machado Pimentel, a Gegé como é conhecida na ilha, conta que seu primeiro “ganha pão” em Morro de São Paulo foi também uma barraca de praia situada na Primeira Praia. Foi a segunda moradora a ter barraca na praia. Na época ela levava os mantimentos que iriam ser consumidos na barraca, em sua casa, onde possuía uma geladeira. O que podia ser considerado um privilégio, pois a maioria dos nativos não tinham este luxo. Além de ficar na barraca, Gegé também percorria a praia vendendo carangueiro e carregava na cabeça o crustáceo. Tempos difíceis, mas que eram considerados maravilhosos apesar das dificuldades, segundo a maioria das pessoas que viveram e ainda residem em Morro de São Paulo. “Antigamente nós vivíamos mais, hoje nós vivemos em função do dinheiro, pois existem mais possibilidades de ganhar e antigamente não”, ressalta Gegé
Como Seu Manuel e Gegé, os demais proprietários das barracas da Primeira Praia também viram todos estes anos Morro de São Paulo passar por várias transformações e crescer assustadoramente, mas apesar de tantas mudanças continuam mantendo seus estabecimentos e conquistando os turistas que frequentam a praia. Prova disso, é Clarindo Miranda, o Cacá. Dono da Barraca do Tempo, ele faz questão de atender pessoalmente os clientes e aproveita para bater um animado papo. Toda esta disposição, segundo ele, é atribuída a excelente forma física, pois ele afirma que nada três vezes por semana até a Ilha de Itaparica. Cacá abriu sua barraca no ano de 1984 e já atraiu ilustres visitantes como os cantores Belmar do grupo Chiclete com Banana, Xandi do Harmonia do Samba e o jogador de futebol Petkovic.
Ele lembra que na década de 80, quando o turismo se intensificou em Morro de São Paulo, a praia era freqüentada por muitos turistas estrangeiros. Dos freqüentadores brasileiros, a maioria era proveniente de Salvador e pertencia a classe média alta. Dos tempos antigos até hoje a praia sempre foi mais visitada por grupos familiares e ainda pode se dizer, em comparação as outras praias, que conserva a mesma tranquilidade de anos atrás.
É nesta praia que ficam localizadas duas referências culturais da ilha: a Casa da Sogra e a casa que abrigava o antigo “ Clube da Sororoca”, ambas situadas na Rua da Prainha (rua atrás da praia). A casa da sogra, cuja data de construção é 1800, trata-se de uma antiga moradia que pertencia a um veranista de Salvador, o Tentente Dário. De acordo com alguns antigos moradores de Morro de São Paulo que o conheceram, seu estilo de vida inspirou um dos personagens da obra de Jorge Amado, “Tieta do Agreste”, inclusive o escritor baiano foi um dos ilustres visitantes que deixou sua assinatura nas paredes da residência.
Tenente Dário faleceu em 1993 e a casa foi mantida do jeito que ele deixou até o ano de 2004, com as paredes pintadas com histórias e poemas de amor pela ilha de Tinharé. De acordo com Lena Wagner, o Tenente Dário foi seu grande incentivador. Na década de 80, em plena ditadura militar no Brasil, ela lembra a luta dele em demonstrar às pessoas daqui o que estava acontecendo no País. Lena foi uma das ouvintes mais atentas e foi por ouvir suas histórias que ela se interessou pela cultura e política.
O Clube da Sororoca, outra casa antiga, tratava-se de um espaço cultural aberto para a comunidade e criado por um grupo de 10 pessoas que eram veranistas. Lena recorda que ela mesma já usou o espaço como sala de reuniões. O compromisso era que a comunidade usufruísse, mas com os anos e a falta de preservação a casa foi fechada e até hoje não foi revitalizada. O que é uma pena, pois seria sem dúvida, na opinião de Lena e nossa também, um espaço de resgate de toda a cultura e história de Morro de São Paulo, que com certeza merece ser revivido e contado à nova geração.
Características da Primeira Praia
A pesar de ser a menor em extensão das praias, a Primeira Praia apresenta adjetivos que a tornam a mais charmosa da ilha. As poucas barracas espalhadas pela faixa de areia e o visual do Farol que fica no alto do morro no canto da praia, dão um toque especial á esta praia. Uma das características que só podemos atribuir a Primeira e que você não verá em nenhuma das outras praias é a de que por possuir um ancoradouro natural, a Primeira recebe mercadorias dos supermercados e de lojas de materiais de construção. Pode acontecer alguns descuidos neste sentido e os materiais retirados dos barcos caírem, quebrando e ficando assim, entulhos no mar. Com a maré baixa estes entulhos voltam a areia. Porém, isto não representa riscos aos banhistas e tão pouco apaga a beleza desta praia. É na Primeira Praia que ficam as lanchas e iates dos turistas que vêm para Morro em suas próprias embarcações.
Pois além de ser um ancoradouro natural, o Morro onde fica o Farol protege as embarcações dos ventos fortes. Na maioria das vezes, estas pessoas são de Salvador e vêm passar o dia em Morro. Atenção: fique atento ao mergulhar ou nadar para longe da beirada porque essas lanchas chegam a qualquer instante. A água costuma ser mais clara durante o período de proximidade do verão, nos meses de outubro a março.
Normalmente nos meses de abril a setembro, a cor da água pode adquirir uma tonalidade mais escura, principalmente em maio e junho, devido serem meses que apresentam maior incidência de chuva. Devido a localização desta praia, por ficar atrás do Morro onde fica o Farol, o sol permanece aproximadamente até às 15h. Porém, se você é daqueles que preferem curtir o sol bem cedo, não terá problemas.
É importante saber que quando a maré está alta fica um espaço curto de faixa de areia, sendo difícil se expor para tomar sol, tendo espaço seco apenas bem próximo das barracas de praia.
E quando a maré está muito baixa têm dos dois lados da praia recifes que formam piscinas naturais, onde se pode mergulhar de snorkel. Mas tenha cuidado ao andar pelas pedras, pois também aglomeram muitos ouriços, neste caso é bom ir de sandália para não machucar os pés. Você também observará pescadores pegando polvo, neste caso quando a maré está baixa.
Não existem muitas barracas nesta praia, ao todo são quatro, sendo que três pertencem e ainda são administradas por nativos da ilha. Você encontrará deliciosos petiscos de frutos do mar e outros pratos típicos. Se necessitar de cadeiras mais confortáveis, há uma destas barracas que dispõe. A vida noturna da Primeira Praia se restringia em uma barraca localizada próxima a ponta da praia em direção a Segunda, que promovia festas sempre nas noites dos domingos. Tratava-se de um local mais alternativo e reservado, onde a galera local e os turistas disputavam o pequeno espaço para curtir a balada. Em agosto de 2007 um incêndio destruiu a barraca.
Os freqüentadores da Primeira Praia em sua maioria, são famílias que desfrutam a tranqüilidade desta, aproveitando cada minuto. Se você pensa que por ser uma praia onde se vê mais grupos de famílias, não há aventuras, enganou-se. É na Primeira Praia onde a adrenalina predomina com a Tiroleza, a Banana Boat, o esqui aquático e wakeboard.
Ainda é nela que fica o point dos surfistas: a Pedra do Moleque. Pode-se dizer que se trata de uma praia com ondas moderadas na maré alta, porém, não representa perigo aos banhistas. Lógico, você terá que ficar atento, pois os salva vidas ficam apenas na alta temporada. Saiba mais sobre todos os esportes que são praticados na Primeira Praia, nos links abaixo.
Surf na Primeira Praia
Para os adeptos do surfe, é importante saber que a Primeira Praia é mais adequada, principalmente no período do inverno. É um lugar onde as ondas podem ser consideradas perfeitas, podendo surfar com todas as modalidades inclusive com longboard e bodyboard. O pico tem boas ondas de direita, que podem atingir até dois metros. A melhor época para surfar é no inverno, nos meses de junho a setembro, quando o vento é leste e conforme os surfistas locais é o ideal para surfar.
Nos demais meses do ano, o vento não é tão favorável e as ondas não são constantes. O melhor horário é quando a maré está enchendo, cheia ou vazante. Quando a maré está baixa não é recomendável, pois o fundo do mar na Primeira Praia apresenta muitos corais e recifes o que pode ser perigoso e causar machucados.
Dos melhores picos que têm na ilha, dois ficam localizados nesta praia. São a Pedra do Moleque (outside), onde tem ondas que quebram de direita e o Quebrancinha (inside), ao lado do morro onde se localiza o farol e geralmente onde ficam os surfistas mais jovens.
É também na Primeira Praia que fica a escolinha de surf, onde a galera local e também turistas aprendem a surfar. A Morro de São Paulo Surf School, como é denominada, existe desde novembro de 2006 e foi criada, claro, por um surfista.
Iuri Martins, que desde os 12 anos pratica o esporte e nesta época visitava Morro como turista e já tinha a idéia de abrir a escola. O objetivo é incentivar a prática do surf, principalmente entre as crianças e adolescentes que moram na ilha. Dos 12 alunos fixos que Iuri têm hoje, mais da metade está na faixa etária entre os 6 e 14 anos de idade. As aulas acontecem na Primeira Praia, duas vezes por semana, sendo uma hora por dia, geralmente são 30 minutos de teoria e 30 minutos de prática.
Dependendo da habilidade do aluno, já no primeiro dia é possível ficar de pé em cima da prancha. Para os nativos é cobrada uma mensalidade pelas aulas e a escola fornece todo o mateial necessário como a prancha, parafina e roupa adequada. Mas a Morro de São Paulo Surf School não atende somente a galera local.
Os turistas que tiverem interesse em conhecer o trabalho, alugar prancha ou ainda ter aula é só procurar na Primeira Praia ou na loja que fica na Praça Aureliano Lima, s/nº (ao lado do CIT). Os telefones de contato são: (75) 3652-1212 ou (75) 8836-4042. Há disponíveis pranchas de todos os tipos: longboard, funboard e pranchinhas. O valor do aluguel de uma prancha é R$ 20,00 por 1h30min ou a diária R$ 50,00. A aula para turista custa R$ 40,00 (uma hora). Para saber mais informações sobre o surf em Morro confira no link de esportes. Confira outros points de aluguel de prancha:
Loja LR 19
Aluga e vende pranchas. O aluguel de uma prancha semi-nova, fica em R$ 80,00 a diária. A LR 19 está em três diferentes lugares:
Vila: Rua Caminho da Praia, 59, -Rua da Prainha, nº 130 (ao lado da Pousada Farol do Morro.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
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